Marcelo Timbó

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Edufba: Fale sobre a sua trajetória pessoal, profissional e acadêmica.

Marcelo Timbó: Nascido em 4 de julho de 1977, em Salvador, sempre fui estimulado pelos meus pais a lidar com o mundo das artes. Minha avó, Dona Ana, era professora de artes; meu pai, José Nilo, um ótimo desenhista.

Aos 16 anos ganhei meu primeiro violão de minha tia Lígia Timbó e, a partir desse momento, não parei mais de me envolver regularmente com a música.

Já o envolvimento com o Direito aconteceu mesmo quando fiz a escolha pelo curso, praticamente na hora de fazer a inscrição para o vestibular da Ufba.

Não tinha certeza sobre a escolha, seria o pioneiro da família na seara jurídica, mas a área de humanas sempre me atraiu muito. Passei no vestibular e desde o início do curso tive a certeza de que todas as pessoas deveriam estudar Direito ou, ao menos, um ano no ensino médio deveria ser dedicado ao estudo da nossa Constituição, que, em última análise, representa o estudo das “regras gerais do jogo” da nossa vida social.
Entretanto, quando me formei em Direito eu preferi me dedicar exclusivamente às artes por um período.
Isso porque, no meio do curso, surgiu o Batifun, grupo de samba formado no ambiente acadêmico das faculdades de Direito e Medicina da Ufba, de que faço parte desde então e que já em seu segundo ano de carreira fez turnê pelo Rio de Janeiro. Dividimos palco com nomes como Luiz Melodia, Lobão e a Bateria da Mocidade Independe de Padre Miguel.

Com o reconhecimento da crítica (vencemos o Troféu Caymmi de 2007) e do público, o Batifun concentrou com exclusividade minhas atenções e esforços por alguns anos até que resolvi retomar a ligação com o Direito. Ingressei no mestrado, no qual escrevi sobre Direito Autoral, ramo jurídico que une duas das minhas paixões, o Direito e a Arte. Venho de uma família de professores, então sempre soube que a sala de aula seria um dos meus locais de trabalho.

Mas a ligação com a arte não parou por aí. Mesmo em meio à correria que é um curso de mestrado, aceitei o convite de Fernando Guerreiro [produtor e diretor teatral] para integrar o elenco da comédia musical “Os Cafajestes”. Foi uma experiência artística fantástica que abriu muitas portas para mim nas artes cênicas; posteriormente até participei de uma minissérie da TV Globo, O Canto da Sereia.
Após o mestrado, comecei a dar aulas de Direito Autoral e Direito Civil. É neste ramo jurídico que está o estudo dos contratos. Com o passar dos semestres, eu senti a necessidade de escrever meu próprio curso sobre contratos, que abordasse essencialmente os tópicos mais relevantes da vastíssima disciplina, voltado para o aluno da graduação em direito, mas também para aqueles que desejam uma abordagem sobre o tema de modo direto e conciso.

Assim surgiu meu primeiro filho editorial, a obra “Introdução ao Estudo dos Contratos”, que a Edufba me concedeu a honra de poder publicar, em um belíssimo trabalho cujo resultado final está agora disponível para o público e muito me orgulha.

Edufba: Quais os desafios em conciliar as carreiras de músico, advogado, professor e escritor?
Timbó: De fato, é um grande desafio conciliar as carreiras artísticas com a acadêmica e a jurídica. Apenas ilustrando, um livro como o que escrevi é resultado de mais de um ano de trabalho. Os shows e as aulas demandam uma pré-produção, uma grande preparação prévia que vai muito além do fugaz tempo que estamos no palco ou nas salas de aula. O que mais importa mesmo acredito que seja manter a disciplina e a organização, o que não é fácil. Realizar parcerias com pessoas competentes também é sempre muito bem-vindo e influencia demais no resultado final de nossas conquistas.

Edufba: De onde surgiu o interesse pelo direito contratual?
Timbó: Falar de contratos é falar do cotidiano, da vida comum de todos nós. Nossas relações são, em sua ampla maioria, reguladas por contratos. Quem está lendo essas palavras agora só pode fazê-lo por ter firmado um contrato anteriormente que, de alguma forma, disponibilizou-lhe o conteúdo. Pegamos transportes todos os dias ou conduzimos nosso próprio carro, alienado por uma compra e venda, uma doação ou mesmo uma permuta, bem provavelmente garantido por um outro acordo, o pacto de seguro. Desde o cafezinho na cantina até a realização do sonho da casa própria, tudo passa por um acordo de vontades. Moramos, estudamos e divertimo-nos por intermédio de contratos. Desde que começamos a viver em sociedade, tem sido assim e provavelmente será dessa forma por toda a existência humana: firmando ou executando contratos. Por isso, além da necessidade que senti de criar meu próprio curso sobre contratos, a disciplina sempre me fascinou.

Edufba: Como foi o processo de produção do livro? Para quem ele é direcionado?
Timbó: O livro demorou cerca de um ano para a finalização do seu texto. Ele surgiu a partir dos roteiros de aula que eu já possuía. Desse ponto de partida, iniciei uma profunda pesquisa na melhor doutrina sobre o tema, mas sempre tendo em mente a ideia de concisão, de falar do essencial, pois o tema é muito amplo e facilmente um pequeno tópico pode se tornar um tratado. Como o livro é voltado para uma introdução ao tema, para quem está estudando a doutrina contratual pela primeira vez, a premissa de objetividade sempre foi o norte.

Edufba: Deixe uma mensagem para os seus leitores e leitoras.
Timbó: O livro “Introdução ao Estudo dos Contratos” é uma contribuição para a missão de esclarecimento das regras gerais das nossas relações contratuais. Não é voltado apenas para o estudante de Direito, mas para todo aquele que, diante de eventuais dúvidas no momento de realização de um pacto, deseja esclarecer algum aspecto importante. Queria deixar uma mensagem de agradecimento aos leitores e leitoras que já praticamente esgotaram a primeira tiragem do livro antes mesmo de seu lançamento oficial. Muito obrigado do fundo do meu coração e contem sempre comigo!