Genildo Ferreira da Silva

Espaço do Autor |

Começando o ano de 2018, o Espaço do Autor desse mês de janeiro traz o professor e pesquisador em filosofia e política, Genildo Ferreira da Silva, organizador dos livros Perspectivas em filosofia da economia e História e Civilização. A entrevista trata de temas importantes da filosofia, economia e história, áreas importantes principalmente nesse ano de eleição.

Genildo é doutor em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas (2004), com estágio na Université Catholique de Louvain/Bélgica. Realizou pesquisa de Pós-doutorado em Filosofia pela Université Paris X – Paris/França (2014/2015) com apoio da CAPES, Mestre em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas (1998) e Graduado em Filosofia pela Universidade Estadual de Santa Cruz (1984). É professor Associado do Departamento de Filosofia da Universidade Federal da Bahia desde 1994 e Prof. Permanente do Programa de Doutorado e Mestrado em Filosofia.

Seus campos de pesquisa são voltados para área de Filosofia, com ênfase em Filosofia Moderna e Contemporânea, atuando principalmente nos seguintes temas: Ética, filosofia política, filosofia moderna (com destaque para os autores contratualistas), iluminismo, J-J Rousseau.

Nessa entrevista ele conta um pouco da sua trajetória profissional e acadêmica e se debruça sobre temas que trabalha nos livros, como Filosofia da e economia e filosofia da história, além dos importantes temas de Democracia, Moral e Contratualismo Moderno.

1. Conte brevemente sobre suas trajetórias profissionais e acadêmicas.

Nascido em Camacan, fiz a Graduação em Filosofia pela Universidade Estadual de Santa Cruz (1984). Em Ilhéus fui professor do ensino médio em escolas públicas e particulares. Em 1991 ingressei no Mestrado na Universidade Estadual de Campinas/SP e em 1994 entrei na UFBA, mediante concurso, para professor de Filosofia. No ano de 2000 licenciei-me para realização do Doutorado em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas, concluído em 2004, com estágio de um ano, 2002/2003, na Université Catholique de Louvain/Bélgica. Recentemente realizei pesquisa de Pós-doutorado em Filosofia pela Université Paris X – Paris/França (2014/2015) com apoio da CAPES. Atualmente sou professor Associado do Departamento de Filosofia da UFBA e Prof. Permanente do Programa de Doutorado e Mestrado em Filosofia. Tenho experiência na área de Filosofia, com ênfase em Filosofia Moderna e Contemporânea, atuando principalmente nos temas de Ética, filosofia política, filosofia moderna (com destaque para os autores contratualistas), Iluminismo, J-J Rousseau. Sou membro associado da Société internationale d’étude du XVIIIe siècle e Société Jean-Jacques Rousseau e líder do Grupo de Pesquisa Center for the Study of Dewey and Pragmatism/UFBA, além de pesquisador do Grupo de pesquisa em filosofia: Poética Pragmática: Para uma Elaboração Filosófica Contemporânea/UFBA, Grupo Interdisciplinar de Pesquisa JeanJacques Rousseau/UFG e Grupo Marx no Século XXI/UFBA. Todos formalmente inscritos no Diretório de Grupos de Pesquisa no CNPq. Faço parte do núcleo de sustentação do GT Rousseau e o Iluminismo da ANPOF, fui Tutor do Programa de Educação Tutorial MEC/SESU, grupo PET-Filosofia, com 12 alunos bolsistas no período de 2008/2014 e atualmente coordeno o Programa de Iniciação à docência – PIBID-Filosofia.

2. Fale um pouco da filosofia da história e como esse tema contribui para compreensão do panorama cultural e filosófico dos últimos séculos.

De modo geral, pode-se dizer que a filosofia da história significa o tratamento especulativo do sentido da experiência humana no tempo histórico, investigando sistematicamente as concepções e teorias dessa experiência temporal.

O campo da Filosofia da História tem papel relevante no cenário da investigação filosófica hodierna – que muitas vezes foi nomeada como pós-histórica ou pós-moderna.

Pode se dizer que a filosofia da história significa o tratamento especulativo do curso total da história, isto é, uma interpretação sistemática da história universal de acordo com um princípio segundo o qual os acontecimentos e sucessões históricos se unificam e dirigem para um sentido final.

Muitos reduziram essa disciplina filosófica ao opróbrio e a dispensam como uma das últimas manifestações metafísicas da Modernidade, entretanto, parece que recusar toda filosofia da história, não seria, mesmo assim, uma filosofia da história?

A filosofia da história tem sua importância no panorama cultural e filosófico dos últimos séculos e da sua inegável influência na elaboração das análises da sociedade contemporânea.

3. Em que se baseia a filosofia da economia?

A filosofia é uma disciplina naturalmente propensa ao diálogo com os mais variados campos da atividade humana: como a religião, as artes e as mais diversas ciências. Com a economia esta relação não poderia ser diferente. Como a grande maioria das demais disciplinas científicas, a origem mais remota da economia também pode ser rastreada no discurso filosófico da Antiguidade Clássica. Platão e Aristóteles podem ser elencados dentre os legítimos precursores da economia, disciplina científica que muitos autores consideram inaugurada por Adam Smith, entre outros títulos, professor de Filosofia Moral na Universidade de Glasgow e autor de uma Teoria dos sentimentos morais.

A Modernidade, no entanto, em seu empenho por constituir as disciplinas científicas, tratou de desvencilhar-se da ganga filosófica, porém, neste afã, também correu vários riscos. Aristóteles, que recebeu a pecha de prócer da escolástica, recebeu o apedrejamento generalizado daqueles que desejavam estabelecer novos alicerces para o conhecimento e fundar as novas ciências.

Se na origem a filosofia e a economia sempre foram disciplinas estreitamente relacionadas, suas trajetórias começaram a se distanciar com a crescente hegemonia daqueles que procuravam, servindo-se prioritariamente de um instrumental econométrico, afastar a economia do leito comum das ciências sociais e, em consequência, de disciplinas filosóficas como a ética e a filosofia política. Se o instrumental rigoroso pode ser muito útil, a criação de quimeras dogmáticas parece ser um desserviço à causa do conhecimento. A crise atual, cujos efeitos estão ainda muito longe de serem superados, tende a enfraquecer a posição acrítica hegemônica no campo da economia, fortalecendo o debate interdisciplinar e a discussão sobre a história do pensamento econômico. Com sua natural propensão crítica, a filosofia não pode deixar de comparecer a um diálogo que nunca cessou de existir, mas que foi abafado por um pensamento que preconizava a desregulamentação financeira e se jactava da primazia de um mercado hipostasiado ungido em panaceia explicativa e prática.

4. Comente sobre os temas políticos: Democracia, Moral e Contratualismo Moderno

Temas como Democracia, Moral e Contratualismo Moderno são objetos que naturalmente exigem diálogos, debates, confrontos de ideias, justamente por serem asserções essencialmente humanas, são criações humanas, construções humanas relacionadas a ideias como bondade, sensibilidade, piedade, indulgência, generosidade, sociabilidade etc. Dizem respeito às grandes indagações que os seres humanos sempre fizeram, buscaram, visando a entender o seu estar no mundo. Tudo isso envolve civilização, religião, ateísmo, estética, ética, política, felicidade…

5. Deixe uma mensagem para os leitores da Edufba.

O que posso dizer para os leitores da Edufba, é que considero um grande privilégio poder contar com uma Editora do nível da Edufba, com competência, qualidade e dinamicidade a nos oferecer obras excepcionais, beneficiando, assim, tanto aqueles ávidos pelo exercício da leitura quanto os que se dedicam a estudar, pesquisar e escrever textos de qualidade.