Elizete Passos

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Graduada em Filosofia pela Universidade Federal da Bahia, Elizete Passos atualmente é professora titular da Fundaçao Visconde de Cairu. Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em Ética, atuando principalmente nos temas educação, gênero, ética, moral e valores. Autora de livros como A Educação das Virgens, Ética nas Organizações e Ética e Psicologia, a mestra e doutora em Educação pela UFBA, está prestes a lançar Henriqueta Catharino, mais um volume da Coleção Educadoras Baianas, publicada pela EDUFBA. Sempre solícita e gentil, Elizete fala sobre sua trajetória e pontos de vista nesta entrevista que você acompanha a partir de agora.


EDUFBA -
Fale sobre sua infância, adolescência, família…

Elizete Passos - Sou a primeira de seis irmãos, sendo quatro mulheres e dois homens. Nasci no interior da Bahia, cidade na margem Rio São Francisco, onde vivi até os 17 anos de idade, momento em que me mudei com a família para Salvador. Estudei em colégio de freiras desde o chamado Curso Primário, entretanto, ao vir para Salvador já estava cursando o 2º ano Pedagógico, e fiz questão de concluí-lo em uma escola publica – ICEIA – pois tinha curiosidade de saber como era a rotina nesses colégios. Sou casada e tenho 2 filhos.

EDUFBA - Sua trajetória acadêmica, como se deu? Quais são os momentos de destaque desta trajetória?

Elizete Passos - Como era comum na época, formei-me em Professora Primária, até porque no interior só existia ele e o curso de Contabilidade, sendo que este era destinado ao sexo masculino. Por uma questão de gênero as mulheres normalmente faziam o Curso Normal, pois era considerado como uma extensão do papel de mãe e o trabalho poderia ser exercido em um único turno, de modo a se ajustar às tarefas de dona de casa.

O Curso de Filosofia surgiu como um caminho natural para quem tinha sido preparada para ser professora, mas que possuía muitas indagações e não se satisfazia com as respostas apresentadas pelo senso comum. O curso foi feito na UFBA, ao tempo em que a profissão de Professora Primária já estava acontecendo, como fazendo parte da Rede Municipal de ensino da cidade de Salvador.

O envolvimento com o Curso de Filosofia, desde o inicio, foi muito grande de modo que me tornei monitora da disciplina Metafisica, na UFBA e ainda estudante, passei a ensinar na Universidade Católica, como Professora Assistente do Professor Pietro Dalle Nogare, na disciplina de Ética. Ao concluir o Curso de Filosofia fui imediatamente contratada como Professora Colaboradora e regularizada como professora de Ética da UCSAL.

EDUFBA - Você tem um estudo sobre grandes personagens da Bahia, expressado muito bem na “Coleção Educadoras Baianas”, da EdUFBA. Você chegou a conviver com alguma delas? Como foi essa relação?

Elizete Passos - Apenas tive contato com uma delas, a Professora Leda Jesuíno que, coincidentemente havia sido minha professora de Metodologia do ensino da Filosofia. As demais já haviam falecido. Chegar a essas grandes educadoras estudadas por mim foi fruto de pesquisa. Após eu ter feito vários estudos sobre escolas importantes de Salvador, matrizes da educação feminina, achei que precisava fechar o ciclo, através do conhecimento de suas grandes mentoras. Iniciei com uma pesquisa exploratória, buscando identificar educadoras que tivessem marcado uma época. Identifiquei mais de 30 grandes educadoras, fiz estudos sobre 9 delas, as outras estão sendo estudadas por minhas orientandas de mestrado e de doutorado, assim como orientandas de outros docentes.

EDUFBA - Entre as educadoras baianas em atividade, existe alguma que se destaque positivamente? Por que?

Elizete Passos - Sem duvidas. Existem inúmeras profissionais que lutam com idealismo, em péssimas condições de trabalho porque acreditam no poder transformador da educação. Entretanto, essas ainda precisam ser estudadas, não devemos deixá-las cair no esquecimento, pois com isso não se faz justiça a elas, e apagamos ou esqueceremos muito da nossa educação.

EDUFBA - Qual sua visão sobre a atual situação da educação na Bahia e no Brasil?

Elizete Passos - Apesar dos muitos avanços no campo da identificação dos problemas da educação, de inúmeras saídas apontadas inclusive pelo avanço da tecnologia educativa, a educação convive com sérias questões, por exemplo, a meu ver faltam convicções tanto da parte do educador, quanto de quem pensa as políticas educacionais; penso que outro grande problema é a formação do educador, onde se exige dele conhecimento e atitudes que normalmente a formação não proporciona, a exemplo das questões de gênero e da ética, que são exigências dos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais); também as condições de trabalho, os baixos salários; a violência na escola, enfim, precisamos sair da teoria e ir para a prática. Isto porque acredito que estudos são feitos, mas não estão chegando ao seu real destino, as salas de aula, a formação do educador. Destaco: investimento na formação do educador, de modo a prepará-lo de forma adequada e competente para responder às demandas sociais; apresentar aos discentes uma proposta educacional atrativa, quanto à sua atualidade, coerência e valorização da pessoa.

EDUFBA - Você tem algum projeto em andamento?

Elizete Passos - Sim. No momento estou desenvolvendo uma pesquisa sobre educação como uma prática ética, voltada à formação do cidadão.

EDUFBA - Gostaria de deixar um recado para a sociedade?

Elizete Passos - Algo que continua atual, mas que foi recomendado pelo Filosofo Aristóteles: investir na educação das pessoas é o caminho mais curto para que se possa viver bem, em paz e feliz.